Um estudo realizado pela Fundação Nacional de Política Americana – centro de pesquisa focado em imigração e economia global – e publicado em fevereiro deste ano concluiu que a forte queda na concessão de vistos temporários de trabalho para estrangeiros durante a pandemia não ajudou os Estados Unidos a gerar mais empregos.

Conduzida pela pesquisadora Madeline Zavodny, da Universidade do Norte da Flórida, a pesquisa afirma que a baixa emissão dos vistos temporários H-1B, H-2B (não-agrícola) e J-1 nos anos fiscais americanos de 2020 e 2021 – pico da Covid-19 nos EUA – levou a taxas de emprego menores ou taxas de desemprego maiores as indústrias que mais se beneficiam desses vistos.

Dados levantados pelo estudo junto a órgãos oficiais de imigração mostram que, enquanto no programa de trabalho de verão do visto J-1 as emissões caíram de 100 mil no ano fiscal de 2019 para pouco menos de 5 mil em 2021, o visto H-1B saiu de 190 mil para 62 mil emissões no mesmo período. O H-2B teve retração similar.

“Fechamentos de fronteiras, cancelamentos de voos e operações consulares suspensas levaram a uma redução dramática no número de migrantes internacionais que entraram nos Estados Unidos após o início da pandemia. As fronteiras reabriram para a maioria deles em março do ano passado, mas os trabalhadores ainda enfrentariam desafios consideráveis, incluindo restrições da Covid-19 em seus países de origem e operações reduzidas nos consulados”, afirma a pesquisadora.

Em geral, trabalhadores que entram nos Estados Unidos por meio de um desses três vistos de trabalho temporário concentram-se em indústrias específicas. Os portadores do visto H-2B, por exemplo, costumam ser contratados por empresas das áreas de serviços administrativos e de apoio e gestão de resíduos (35% dos vistos aprovadas no ano fiscal de 2020); artes, entretenimento e recreação (15%); indústria de transformação (15%); serviços de alojamento e alimentação (10%); e construção (5%).

Já quem vai para os EUA com o visto H-1B, geralmente é contratado no setor de serviços técnicos, científicos e profissionais, (54%); serviços educativos (10%); manufatura (10%); informação (7%); comércio varejista (5%); e finanças e seguros (5%).

E os participantes do programa de trabalho de verão do J-1 concentram-se basicamente no setor de lazer e hospitalidade, embora não haja estatísticas oficiais sobre a distribuição dos detentores do visto.

Ao analisar a geração de vagas nesses setores, comparando o período pré-pandemia com os anos de 2020 e 2021, a pesquisa não identificou melhora na empregabilidade de profissionais americanos, contrariando assim um argumento comumente usado por opositores da flexibilização da política imigratória, que afirmam que os trabalhadores estrangeiros roubam vagas dos cidadãos natos dos EUA.

“Não há nenhuma evidência de melhores oportunidades no mercado para os trabalhadores americanos no setor de lazer e hospitalidade, como resultado do fim do programa de trabalho de verão do J-1”, conclui a pesquisa.

“Também não há evidência de crescimento de emprego mais rápido ou taxas de desemprego mais baixas para nativos americanos com ensino superior, como resultado da diminuição das contratações via H-1B. Ao contrário: os setores que eram mais dependentes desses trabalhadores temporários estrangeiros antes da pandemia aparentemente tiveram mais dificuldades em preencher suas vagas durante a pandemia”.