O interesse de investidores estrangeiros em estabelecer negócios nos Estados Unidos cresce de forma consistente. Dados do U.S. Department of Commerce mostram que o volume de investimento estrangeiro direto no país superou US$ 5,25 trilhões em 2024, impulsionado por programas de imigração voltados ao empreendedorismo.
Entre eles, dois se destacam: o visto E-2, de caráter não imigratório, e o visto EB-5, que concede residência permanente. A comparação entre essas duas categorias é importante para definir estratégias de investimento alinhadas aos objetivos de longo prazo.
Sobre o visto E-2
O visto E-2 permite que cidadãos de países com tratados comerciais com os EUA invistam e administrem um negócio no país. Embora o Brasil ainda não faça parte da lista de países elegíveis — conforme publicado pelo U.S. Department of State — investidores brasileiros recorrem frequentemente a dupla cidadania com países como Itália ou Espanha para acessar o programa.
O E-2 não estabelece valor mínimo obrigatório. O Foreign Affairs Manual indica que o investimento deve ser “substancial”, suficiente para garantir operação estável e viável. Na prática, muitos casos começam entre US$ 100 mil e US$ 300 mil, dependendo do setor. O visto é renovável enquanto o negócio permanecer ativo e capaz de sustentar operações e empregos.
Por não oferecer caminho automático para residência permanente, o E-2 é mais usado por empreendedores que buscam flexibilidade operacional, menor aporte inicial e velocidade no processo — que costuma ser analisado diretamente nos consulados.
Sobre o visto EB-5
O EB-5, criado em 1990 pelo Congresso dos EUA e modernizado pelo EB-5 Reform and Integrity Act de 2022, é um visto de imigrante que concede residência permanente condicional. Para obter a aprovação, é necessário investir:
- US$ 800 mil em áreas de emprego-alvo (Targeted Employment Areas, TEA);
- US$ 1,05 milhão em áreas não qualificadas como TEA.
Os valores atualizados são definidos pelo U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS). Além disso, o investimento precisa gerar no mínimo 10 empregos em tempo integral para trabalhadores americanos.
Grande parte dos investidores opta por aplicar por meio de Centros Regionais, entidades autorizadas pelo USCIS que administram grandes projetos — geralmente imobiliários, infraestruturais ou de desenvolvimento urbano.
Principais diferenças entre E-2 e EB-5
A diferença mais evidente é o objetivo migratório. O E-2 é temporário; o EB-5 leva ao green card. O E-2 não estabelece valor fixo de investimento, enquanto o EB-5 exige aportes significativamente mais altos e comprovação rigorosa da origem dos fundos.
O tempo de processamento também difere. Processos E-2 podem ser concluídos em poucos meses, enquanto pedidos EB-5 podem levar mais tempo, dependendo da fila de análise do USCIS e da verificação de geração de empregos.
Qual caminho escolher?
Para investidores que buscam instalação rápida, investimento menor e presença ativa na gestão do negócio, o E-2 tende a ser o mais adequado. Já quem deseja residência permanente para a família e participação em projetos de maior escala, encontra no EB-5 um caminho mais robusto e direto.
A escolha entre os dois exige avaliação estratégica, análise financeira detalhada e revisão dos objetivos migratórios. A consulta a advogados especializados é importante para interpretar requisitos atualizados do USCIS e do Department of State, garantindo segurança jurídica em todas as etapas.
Foto: Freepik
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