Mitos e verdades sobre vistos e imigração para os EUA

O sonho de milhares de brasileiros é poder visitar, estudar, trabalhar ou até mesmo morar nos Estados Unidos e viver o famoso “sonho americano”. No entanto, diversos mitos acabam levando a decisões equivocadas e frustrações. Neste artigo, esclarecemos os principais mitos e verdades sobre vistos e imigração para os EUA. 

1 – Se eu entrar como turista B1/B2, posso mudar para visto de trabalho ou green card facilmente. (MITO)

Embora seja possível, em alguns casos, ajustar o status de turista para outro visto (como H-1B ou L-1) ou para Green Card, isso não é automático nem garantido. O visto B1/B2 é não-imigrante, e a intenção ao entrar nos EUA deve ser apenas visita temporária. Se o USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração) perceber que você já tinha a intenção de ficar, pode considerar fraude, resultando em negativas e até deportação.

Algumas pessoas conseguem ajustar o status dentro dos EUA, mas isso exige critérios rigorosos, como ter uma petição aprovada (como casamento com um cidadão ou oferta de emprego válida) e comprovar que não havia intenção prévia de imigrar ao entrar como turista.

2 – EB-2 NIW precisa de uma oferta de emprego. (MITO)

O visto EB-2 NIW (National Interest Waiver) é destinado a profissionais altamente qualificados, e há um equívoco comum em relação aos seus requisitos. Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é obrigatório ter uma proposta de emprego para se qualificar a esse visto.

O EB-2 NIW dispensa a necessidade de uma oferta de emprego (job offer)  desde que o candidato comprove uma formação acadêmica relevante, uma trajetória profissional de destaque e a capacidade de contribuir significativamente para os interesses nacionais dos Estados Unidos. Por essa razão, esse visto tem se tornado uma das opções mais procuradas por brasileiros com carreira consolidada que desejam imigrar para os EUA.

3 – Casamento com um americano garante o green card de forma imediata. (MITO)

Embora o casamento com um cidadão americano seja um caminho comum para o green card, não é automático. O processo envolve várias etapas, como provar que o casamento é legítimo (não apenas para fins imigratórios), enviar documentação, passar por entrevistas e, em alguns casos, aguardar meses ou anos.

Cônjuges de cidadãos americanos têm prioridade no processo, mas ainda precisam cumprir requisitos legais. Se o casamento tiver menos de 2 anos, o residente recebe um green card condicional, que depois precisa ser convertido em permanente.

4 – Os vistos F-1, M-1 e J-1 (estudantes e visitantes de intercâmbio) precisam de autorização de acesso das redes sociais. (VERDADE)

Em junho de 2025, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a retomada de emissão de vistos para estudantes, após um conflito de Trump com as universidades americanas. Agora todos os candidatos precisarão fornecer acesso às suas contas de redes sociais durante o processo de solicitação do visto. 

De acordo com as novas regras, os funcionários dos consulados americanos poderão solicitar os perfis de plataformas como Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e LinkedIn, além de mensagens, a fim de redobrar a atenção em postagens que possam ser consideradas hostis aos EUA. Aqueles que se recusarem a tornar suas redes sociais públicas para análise podem ter o visto negado.

5 – Posso trabalhar nos EUA sem visto adequado, desde que ninguém descubra. (MITO)

Trabalhar sem autorização é ilegal e pode resultar em multas e até banimento do território americano. Principalmente após as políticas imigratórias mais rigorosas implementadas no atual governo dos EUA, onde qualquer irregularidade, pode levar à deportação do imigrante. Além disso, empregadores que contratam indocumentados também enfrentam penalidades. 

Existem vistos específicos para trabalho, como o H-1B (para profissionais especializados), L-1 (para transferências internas), O-1 (para talentos extraordinários) e EB-3 (para trabalhadores qualificados). 

6 – Algumas profissões facilitam a obtenção do green card. (VERDADE)

Profissionais que atuam em áreas estratégicas ou com alta demanda nos Estados Unidos podem ter processos de imigração facilitados para obtenção do green card. Isso ocorre porque o governo americano prioriza talentos em setores essenciais como STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), saúde e outras especializações críticas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

Essas carreiras são classificadas como de “interesse nacional” e, por isso, contam com vias de imigração mais ágeis e benefícios específicos. O objetivo é atrair mão de obra qualificada que contribua para a competitividade e inovação nos EUA, oferecendo a esses profissionais um caminho mais acessível para residência permanente.

7 – Se tiver um green card e não morar nos EUA, pode ter o status de residente revogado. (VERDADE)

O green card  exige que o portador mantenha os EUA como seu principal domicílio, conforme estabelecido pela legislação de imigração do país. O governo americano entende que residentes permanentes devem ter uma presença contínua no território, e ausências prolongadas (especialmente acima de 1 ano) podem ser interpretadas como abandono do status. A própria CBP (Customs and Border Protection) tem autoridade para questionar e até revogar o visto de quem não demonstra vínculos reais com os EUA, como emprego, residência fixa ou declaração de impostos.

Além disso, as regras são reforçadas por mecanismos legais, como a necessidade do Reentry Permit (I-131) para viagens longas, que comprovam a intenção de manter a residência. Casos de revogação são comuns quando o portador do green card passa mais tempo fora do que dentro dos EUA sem justificativa válida, pois a lei presume que ele não está cumprindo com o requisito básico de residência permanente. Por isso, é essencial que os titulares do green card planejem suas viagens dentro dos limites legais para evitar consequências irreversíveis.

Foto: Freepik

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Escrito por Equipe Editorial AG Immigration

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