Documentação obrigatória para o visto de turista: o que levar para entrevista e como se preparar

Estrangeiros que pretendem viajar aos Estados Unidos a turismo, negócios temporários, visita familiar ou tratamento médico precisam comprovar, perante o governo americano, que atendem aos requisitos do visto B1/B2. O processo é conduzido pelo Departamento de Estado, por meio das embaixadas e consulados dos EUA, e exige documentação mínima obrigatória, incluindo passaporte válido, confirmação do formulário DS-160, pagamento da taxa consular e foto dentro dos padrões oficiais. 

Em 2024, segundo dados do próprio Departamento de Estado, foram emitidos mais de 6,4 milhões de vistos B1/B2 no mundo, incluindo mais de 1,1 milhão para brasileiros, o que mostra a relevância dessa categoria para viajantes, profissionais estrangeiros e empresas com interesses temporários nos Estados Unidos.

O que é o visto B1/B2

O visto B1/B2 é uma das principais categorias de visto de não imigrante dos Estados Unidos. Ele permite que estrangeiros entrem temporariamente no país para finalidades específicas, sem autorização para trabalhar ou residir de forma permanente.

O componente B-1 é destinado a viagens de negócios temporários. Isso inclui reuniões, participação em conferências, negociação de contratos, visitas comerciais e outras atividades profissionais limitadas. Já o B-2 é voltado ao turismo, visitas a familiares ou amigos, férias e tratamento médico. Na prática, muitos solicitantes recebem o visto combinado B1/B2, que cobre os dois tipos de finalidade.

Segundo o Departamento de Estado, viajantes que pretendem entrar nos Estados Unidos para turismo ou negócios temporários devem solicitar um visto B, salvo quando se qualificam ao Visa Waiver Program, programa que permite a cidadãos de determinados países viajar sem visto por períodos limitados. Brasileiros, no entanto, em regra precisam solicitar o visto B1/B2 antes da viagem.

Documentação obrigatória para o visto B1/B2

A documentação obrigatória para o visto B1/B2 começa pelo passaporte válido para viagem aos Estados Unidos. A regra geral indicada pelo Department of State é que o passaporte tenha validade de pelo menos seis meses além do período de permanência pretendido nos EUA, salvo exceções previstas em acordos específicos entre países.

Além do passaporte, o solicitante deve apresentar a página de confirmação do formulário DS-160. Esse formulário é preenchido online e funciona como a base da solicitação de visto de não imigrante. O envio eletrônico do DS-160 não conclui o processo; quando a entrevista é exigida, o caso só pode ser finalizado após o comparecimento perante um oficial consular.

Outro documento essencial é o recibo de pagamento da taxa de solicitação, quando o pagamento é exigido antes da entrevista. A taxa atual para o visto de visitante, conforme o Department of State, é de US$ 185. Dependendo da nacionalidade do solicitante, também pode haver taxa de emissão, definida pelas regras de reciprocidade entre os países.

A foto também faz parte da documentação. Ela deve seguir os requisitos oficiais do governo americano e, normalmente, é enviada durante o preenchimento do DS-160. Algumas embaixadas e consulados podem exigir que o solicitante leve uma foto impressa à entrevista, por isso é necessário verificar as instruções específicas do posto consular responsável pelo atendimento.

O papel do DS-160 no processo do visto americano

O DS-160 é o formulário eletrônico de solicitação de visto de não imigrante. Ele reúne informações pessoais, profissionais, familiares, migratórias e de viagem do solicitante. Para o visto B1/B2, o formulário deve refletir com precisão o objetivo da viagem, a duração pretendida da estadia e os vínculos do solicitante com o país de residência.

O Department of State informa que, para preencher o DS-160, o solicitante deve ter em mãos documentos e informações como passaporte, itinerário de viagem quando já existir, datas das últimas cinco viagens aos Estados Unidos, histórico de viagens internacionais dos últimos cinco anos quando solicitado, dados de formação acadêmica, informações de trabalho e outros registros relacionados ao propósito da viagem.

Erros ou omissões no DS-160 podem gerar atrasos. Segundo orientação oficial, inconsistências podem exigir correção da solicitação e até reagendamento da entrevista. Por isso, as respostas devem ser completas, precisas e em inglês, usando caracteres em inglês, exceto nos campos em que o formulário pedir o nome completo no alfabeto nativo do solicitante.

Documentos complementares podem ser solicitados

Além dos documentos obrigatórios, o oficial consular pode solicitar evidências adicionais durante a análise do visto B1/B2. Essas evidências não substituem os documentos exigidos, mas ajudam a demonstrar três pontos centrais: o propósito da viagem, a intenção de deixar os Estados Unidos ao final da estadia autorizada e a capacidade de arcar com os custos da viagem.

Na prática, essas evidências podem incluir carta do empregador, comprovantes de renda, extratos bancários, documentos de empresa, comprovantes de vínculos familiares, matrícula em instituição de ensino, convite para reunião ou conferência, reserva de hospedagem, roteiro de viagem e documentos médicos, quando o objetivo for tratamento de saúde.

O ponto central é que o visto B1/B2 exige coerência entre o motivo declarado da viagem e os documentos apresentados. Uma pessoa que solicita o visto para participar de reuniões comerciais, por exemplo, pode precisar apresentar informações sobre a empresa, a agenda de compromissos e o vínculo profissional no país de origem. Já um solicitante que pretende viajar para turismo pode apresentar roteiro, comprovação financeira e vínculos que indiquem retorno ao país de residência.

Números mostram a dimensão do visto B1/B2

O visto B1/B2 está entre as categorias de maior volume no sistema de vistos de não imigrante dos Estados Unidos. No ano fiscal de 2024,  foram registradas 6.498.006 emissões de vistos B1/B2 no mundo. O mesmo relatório apontou ainda 31.544 emissões de vistos B-1 e 12.072 emissões de vistos B-2 separadamente.

Entre brasileiros, os números também são expressivos. Em 2024, foram registradas 1.114.612 emissões de vistos B1/B2 para cidadãos do Brasil, além de 3.078 emissões de B-1 e 37 emissões de B-2. Na América do Sul, o total de emissões de B1/B2 chegou a 2.358.402 no mesmo período.

Esses dados indicam a relevância da categoria para viagens internacionais, relações familiares, turismo, negócios temporários e circulação de profissionais estrangeiros. Também mostram por que a preparação documental é um fator importante: pequenos erros podem afetar um processo usado por milhões de solicitantes todos os anos.

Entrevista consular e prazos de atendimento

A entrevista consular é uma etapa central do processo de solicitação do visto B1/B2. Embora existam exceções, o Departamento de Estado informa que oficiais consulares podem exigir entrevista de qualquer solicitante. Desde as mudanças anunciadas para 2025, a regra geral passou a ampliar a exigência de entrevista presencial, inclusive para grupos etários que antes poderiam ter dispensa em mais situações.

Os tempos de espera variam conforme a localidade, a estação do ano e a categoria de visto. A página Global Visa Wait Times, mantida pelo Departamento de Estado, informa que os prazos são atualizados mensalmente e que a estimativa da próxima entrevista disponível depende do posto consular escolhido.

Outra orientação relevante é que solicitantes de vistos de não imigrante devem, em regra, agendar a entrevista na embaixada ou consulado dos EUA no país de nacionalidade ou residência. O Departamento de Estado alerta que quem aplica fora do país de nacionalidade ou residência habitual pode enfrentar mais dificuldade para comprovar elegibilidade, não terá reembolso nem transferência de taxas e pode encontrar prazos de espera maiores.

Mudanças recentes nas regras do visto B1/B2

Uma das mudanças mais importantes entrou em vigor em 1º de outubro de 2025. A partir dessa data, todos os solicitantes de vistos de não imigrante, incluindo menores de 14 anos e maiores de 79 anos, passaram a geralmente precisar de entrevista presencial, salvo exceções específicas.

Para renovações de vistos B-1, B-2, B1/B2 ou Border Crossing Card, a dispensa de entrevista pode ser possível quando o visto anterior expirou há menos de 12 meses, foi emitido com validade plena, o solicitante tinha pelo menos 18 anos na emissão anterior e atende a outros critérios, como aplicar no país de nacionalidade ou residência habitual, nunca ter tido recusa não superada e não apresentar inelegibilidade aparente.

Outra atualização recente envolve o programa de visa bonds, ou cauções para determinados solicitantes. Em 13 de maio de 2026, o Departamento de Estado listou nacionalidades sujeitas a caução para o B1/B2. Quando aplicável, o valor pode ser de US$ 5.000, US$ 10.000 ou US$ 15.000, conforme determinação durante a entrevista. O Brasil não apareceu na lista publicada nesta atualização.

Também em 2026, o Departamento de Estado anunciou a expansão da análise de presença online para algumas categorias de vistos de não imigrante. A lista publicada não incluiu o B1/B2, mas a página oficial informa que o Departamento usa todas as informações disponíveis no processo de triagem e avaliação de vistos.

Como funciona o processo na prática

O primeiro passo é definir o objetivo da viagem. O solicitante deve identificar se pretende viajar a turismo, negócios temporários, visita familiar, tratamento médico ou uma combinação dessas finalidades. Essa definição é importante porque orienta o preenchimento do DS-160 e a documentação complementar que poderá ser apresentada.

Depois, o solicitante preenche o DS-160 online, envia a foto digital conforme os requisitos oficiais, paga a taxa aplicável e agenda a entrevista no consulado adequado. Antes da entrevista, deve reunir os documentos obrigatórios: passaporte válido, página de confirmação do DS-160, recibo de pagamento quando exigido e foto impressa se o posto consular solicitar.

Na entrevista, o oficial consular avalia se o solicitante se qualifica para a categoria. A autoridade para aprovar ou negar vistos é dos oficiais consulares, conforme a Immigration and Nationality Act. A análise considera as informações do formulário, os documentos apresentados, as respostas dadas na entrevista e eventuais inelegibilidades previstas na lei americana.

É importante destacar que a aprovação do visto não garante automaticamente a entrada nos Estados Unidos. A decisão final de admissão ocorre no porto de entrada e cabe ao Customs and Border Protection, o CBP. O registro I-94 documenta o status legal de visitante e o período autorizado de permanência.

Impactos para viajantes, imigrantes e empresas

Para viajantes, o principal impacto está na necessidade de organização documental. A ausência de documentos obrigatórios, dados inconsistentes no DS-160 ou falta de evidências sobre o propósito da viagem pode atrasar ou comprometer a análise do pedido.

Para imigrantes e estrangeiros com histórico migratório, a documentação precisa ser consistente com o caráter temporário da viagem. O visto B1/B2 não é uma autorização de residência, trabalho ou imigração permanente. Permanecer além do período autorizado pode gerar consequências futuras, incluindo impedimentos de três ou dez anos em casos de presença ilegal, conforme os períodos previstos nas regras do Department of State.

Para empresas, o visto B-1 pode ser útil para atividades temporárias de negócios, como reuniões, conferências e negociação de contratos. No entanto, ele não substitui um visto de trabalho. O Department of State informa que pessoas em visto B1/B2 não podem aceitar emprego nem trabalhar nos Estados Unidos.

Essa distinção é relevante para companhias que recebem parceiros, executivos, fornecedores ou profissionais estrangeiros. A documentação deve refletir atividades permitidas para visitantes de negócios, sem caracterizar vínculo de trabalho nos EUA.

Foto: Magnific

Escrito por Equipe Editorial AG Immigration

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