Os brasileiros gastaram US$ 12,6 bilhões em viagens internacionais no primeiro semestre de 2026. O valor representa crescimento de 22,5% em relação aos US$ 10,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025 e é o maior para os seis primeiros meses de um ano, em termos nominais, desde o início da série histórica.
Os números, inicialmente destacados em uma reportagem da CNN Brasil, têm como base as estatísticas oficiais do Banco Central do Brasil. O avanço coincidiu com a valorização do real diante do dólar durante parte do ano, cenário que reduziu, em moeda brasileira, o custo de passagens, hospedagem, alimentação e outros serviços contratados no exterior.
O que os gastos de brasileiros no exterior realmente medem
Na metodologia do Banco Central, as despesas de viagens internacionais incluem os bens e serviços adquiridos por residentes brasileiros durante a permanência em outros países. A série oficial de despesas de viagens é apresentada em milhões de dólares e integra o balanço de pagamentos do Brasil.
Somente em junho de 2026, essas despesas chegaram a US$ 2,2 bilhões, aumento de 19,6% sobre junho de 2025. No mesmo mês, visitantes estrangeiros gastaram aproximadamente US$ 800 milhões no Brasil. Com isso, as despesas líquidas de viagens internacionais ficaram em US$ 1,4 bilhão, segundo a nota de estatísticas do setor externo publicada pelo Banco Central.
A queda do dólar pode ampliar o poder de compra dos brasileiros, mas não explica sozinha o resultado. Renda disponível, preços de passagens, férias, viagens corporativas e demanda acumulada também podem influenciar o fluxo. Além disso, o recorde é nominal: ele não desconta a inflação internacional.
Outro ponto técnico é que o Banco Central realizou revisões metodológicas recentes nas estatísticas de viagens. Por isso, comparações históricas devem considerar a metodologia vigente e os dados atualizados pela instituição.
Estados Unidos continuam relevantes para viajantes brasileiros
Embora o total de US$ 12,6 bilhões não identifique os destinos, dados norte-americanos confirmam a relevância do Brasil para o turismo nos Estados Unidos.
A National Travel and Tourism Office informou que os EUA receberam aproximadamente 1,9 milhão de visitantes brasileiros por via aérea em 2025. O Brasil foi o quarto maior mercado emissor entre os países de fora da América do Norte, conforme os resultados oficiais da pesquisa de viajantes internacionais.
Em março de 2026, os Estados Unidos contabilizaram 126.845 chegadas de turistas brasileiros. O Brasil ocupou a terceira posição entre os principais mercados de turismo overseas naquele mês. Também foram registradas 3.540 chegadas de estudantes brasileiros, segundo a National Travel and Tourism Office.
Esses dados mostram uma relação de mobilidade relevante, mas turismo, estudo, negócios e imigração são finalidades juridicamente distintas.
Viagem de turismo ou negócios não autoriza trabalho nos EUA
O visto B-2, ou o visto combinado B-1/B-2, pode ser utilizado por pessoas que viajam temporariamente para turismo, férias, visitas familiares ou determinadas finalidades médicas. Já o B-1 contempla atividades comerciais limitadas, como reuniões, consultas profissionais, conferências e negociação de contratos, conforme explica o Departamento de Estado dos EUA.
Uma viagem para conhecer cidades, universidades, parceiros comerciais ou oportunidades de mercado pode integrar um processo legítimo de pesquisa e planejamento. Entretanto, o status de visitante não permite assumir emprego local ou executar trabalho produtivo nos Estados Unidos.
Em orientação publicada em 2026, o Departamento de Estado reforçou que o B-1 não é apropriado para quem pretende trabalhar no país. Quando a atividade ultrapassa os limites de uma visita comercial, pode ser necessária uma categoria baseada em petição ou outra classificação adequada.
Quando a mobilidade pode evoluir para um projeto migratório
Para alguns profissionais, executivos e empresários, viagens frequentes podem anteceder uma decisão de expansão empresarial ou desenvolvimento de carreira. Isso, porém, não cria elegibilidade migratória automática.
Dependendo dos fatos, uma empresa estrangeira que pretenda estabelecer ou ampliar uma operação norte-americana pode avaliar a classificação L-1. Segundo o USCIS, essa categoria permite, sob requisitos específicos, a transferência de executivos, gerentes ou profissionais com conhecimento especializado entre organizações qualificadas. Ela também pode ser utilizada em determinados projetos de abertura de um novo escritório nos Estados Unidos.
Profissionais com reconhecimento expressivo podem considerar o O-1, enquanto determinados profissionais com formação avançada ou habilidade excepcional podem analisar o EB-2 com National Interest Waiver. Cada categoria possui padrões próprios de elegibilidade, documentação e finalidade. O USCIS esclarece que o NIW exige primeiro o enquadramento na classificação EB-2 e, depois, uma análise específica sobre o interesse nacional.
Pontos de atenção para brasileiros
A redução do custo cambial pode tornar uma viagem mais acessível, mas decisões migratórias exigem planejamento além do orçamento. É importante distinguir:
- atividades permitidas durante uma visita;
- trabalho ou prestação de serviços nos Estados Unidos;
- estudo acadêmico ou treinamento;
- abertura e operação efetiva de uma empresa;
- residência temporária ou permanente.
Também é necessário alinhar a finalidade declarada no pedido de visto, as atividades realizadas durante a viagem e os planos futuros. Documentos empresariais, histórico profissional, origem dos recursos e cronograma do projeto podem ser relevantes, dependendo da categoria considerada.
Como a AG Immigration pode ajudar
A AG Immigration assessora profissionais, famílias e empresas na análise de estratégias compatíveis com seus objetivos nos Estados Unidos. O trabalho pode incluir avaliação de elegibilidade, definição da categoria apropriada, organização documental e planejamento da transição entre uma visita exploratória e um projeto migratório juridicamente estruturado.
O recorde de gastos de brasileiros no exterior em 2026 sinaliza maior disposição para viajar e retomar projetos internacionais. Os Estados Unidos permanecem entre os destinos relevantes para turistas, estudantes e profissionais brasileiros.
Foto: Magnific
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