Departamento de Trabalho divulga que existem mais empregos disponíveis do que pessoas interessadas em ocupá-los na América

De acordo com o Departamento de Trabalho Americano, março de 2021 registrou a criação de mais de 8 milhões de novos empregos nos Estados Unidos. Nunca antes tantas vagas de trabalho haviam sido oferecidas em um único mês. Somando-se o primeiro trimestre do ano, já são mais de 20 milhões de novas oportunidades para quem deseja ingressar no mercado de trabalho mais valorizado do mundo.

Estes números são reflexo da rápida recuperação econômica dos EUA diante da pandemia da covid-19, um quadro que, com o avanço da vacinação em massa no país, irá se intensificar ainda mais. Entretanto, o mercado de trabalho americano vive uma curiosa situação em que existem mais vagas disponíveis do que profissionais qualificados ou interessados para exerce-las. E para resolver este problema, os EUA apelam para uma “velha” solução: recorrer à mão-de-obra e ao talento de imigrantes estrangeiros.

“Já é perceptível o aumento do fluxo migratório para os EUA de pessoas vindas de países que não conseguem mais oferecer oportunidades dignas de trabalho e de segurança, especialmente após a pandemia. Com a retomada econômica que vem ocorrendo nos EUA, o sonho de morar e trabalhar legalmente na América tem se tornado cada vez mais atraente” – declarou Rodrigo Costa, CEO da AG Immigration, escritório americano de advocacia imigratória.

De fato, a América continua sendo o destino favorito de 9 a cada 10 estrangeiros que decidem começar uma nova vida no exterior. Os EUA emitem em média 300 mil novos green cards por ano, e só nos primeiros 3 meses desse ano já foram computados mais de 110 mil novos pedidos para o documento de residência americano. Estima-se que existem atualmente quase 14 milhões de portadores de green card morando legalmente na América.

Outra demonstração do interesse dos EUA em contar com novos imigrantes para resolver o problema do mercado de trabalho é o recente aumento na cota anual de vistos de imigrantes para estrangeiros que possuem as chamadas “habilidades extraordinárias (pessoas que possuem um histórico profissional de destaque e formação acadêmica superior)”. 260 mil vistos americanos para estas categorias estão disponíveis em 2021, quase o dobro de 2020, quando 140 mil vistos de imigrantes haviam sido disponibilizados para pessoas com este perfil.

Mas como explicar este “desinteresse” da população americana em ocupar as vagas de trabalho anunciadas? Para alguns, a sequência de estímulos e benefícios financeiros que vem sendo concedidos pelo governo federal durante a pandemia acabam sendo um incentivo para que muitos decidam não voltar ao mercado de trabalho. Atualmente, pessoas elegíveis ao seguro-desemprego recebem cerca de 300 dólares por semana, além de benefícios ligados a saúde que variam de acordo com o Estado americano.

“a questão dos benefícios financeiros concedidos pelo governo contribui, mas existem outros fatores que precisam ser considerados, como escolas e creches que ainda estão fechadas, o que impossibilita muitos pais a voltarem a trabalhar já que não tem com quem deixar seus filhos pequenos. Além disso, muitos ainda evitam regressar a um ambiente de trabalho com outras pessoas devido ao receio de serem contaminadas por alguma nova variante da covid-19” – pontuou novamente Rodrigo Costa, que também Especialista em Mercado de Trabalho dos EUA,

Entre as indústrias mais afetadas pela escassez de profissionais interessados estão a hoteleira e o comércio (especialmente bares e restaurantes). Existem hoje aproximadamente 993 mil vagas nestes dois setores, enquanto no mesmo período no ano passado a quantidade de postos de trabalho disponíveis era de apenas 185 mil.  Mesmo assim, 44% dos empregos anunciados não encontram pessoas capacitadas ou simplesmente candidatos interessados.

Esta dificuldade em encontrar pessoas qualificadas nos EUA pode resultar em excelentes oportunidades para estrangeiros que desejam ingressar no mercado de trabalho americano. E a chegada desses imigrantes também beneficia a América, pois eles irão contribuir com o desenvolvimento da própria economia americana” – completou Rodrigo Costa.