Empresários brasileiros seguem expandindo operações nos Estados Unidos, impulsionados por um ambiente econômico que, em 2023, registrou US$ 31,8 bilhões em estoque de investimento direto brasileiro no país, segundo o Department of Commerce. Esse movimento ocorre principalmente em setores como tecnologia, serviços financeiros e alimentos, com empresas estruturando operações por meio de vistos como L-1A, O-1 e programas como EB-5. A expansão acontece em um cenário de ajustes recentes nas regras imigratórias e reforça o papel dos Estados Unidos como destino estratégico para internacionalização de negócios.
A presença de empresas brasileiras no mercado americano
Os dados mais recentes do governo dos Estados Unidos indicam que a presença empresarial brasileira no país é mensurável principalmente por meio do investimento direto estrangeiro (FDI). De acordo com o SelectUSA, programa vinculado ao Department of Commerce, o estoque de investimento brasileiro nos EUA atingiu US$ 31,780 bilhões em 2023, após uma queda registrada em 2022 e um pico anterior em 2021.
Esse volume posiciona o Brasil como um investidor relevante dentro de um ecossistema maior. Segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA), o total de investimento estrangeiro direto nos Estados Unidos chegou a US$ 5,71 trilhões em 2024, indicando um mercado altamente competitivo, mas ainda aberto à entrada de novos players internacionais.
Além disso, os dados mostram que empresas estrangeiras (incluindo brasileiras) desempenham papel relevante na economia americana. Em 2023, afiliadas de multinacionais empregaram 8,66 milhões de trabalhadores nos EUA, o equivalente a 6,2% do emprego privado, segundo o BEA.
Setores com maior presença brasileira nos EUA
A análise setorial do investimento brasileiro revela padrões consistentes. De acordo com o Department of Commerce, os principais setores de atuação incluem:
- Software e serviços de tecnologia da informação
- Serviços financeiros
- Alimentos e bebidas
- Business services
- Indústria química e plásticos
Esses segmentos indicam que a expansão brasileira ocorre tanto em áreas de alta tecnologia quanto em setores tradicionais da economia.
A concentração em tecnologia e serviços sugere uma estratégia de entrada baseada em escalabilidade e internacionalização de modelos de negócio, enquanto o setor de alimentos e bebidas aponta para a exportação de marcas e conceitos já consolidados no Brasil.
Cases de sucesso e a presença de marcas brasileiras nos EUA
Embora o governo americano não mantenha uma lista oficial de empresas estrangeiras por nacionalidade com destaque individual, os dados de investimento e setores permitem identificar padrões de sucesso empresarial.
Empresas brasileiras que conseguem se estabelecer nos Estados Unidos geralmente seguem três estratégias principais: expansão de marca, aquisição de empresas locais ou abertura de subsidiárias operacionais. O setor de alimentos, por exemplo, tem histórico de internacionalização com modelos replicáveis, especialmente no segmento de restaurantes.
Casos como o de redes brasileiras de alimentação que operam nos EUA ilustram esse movimento. O modelo adotado normalmente envolve adaptação ao mercado local, padronização de processos e estrutura jurídica alinhada às exigências americanas. Ainda que esses casos não sejam listados nominalmente em bases federais, eles se enquadram diretamente nos setores apontados pelo Department of Commerce como principais destinos de investimento brasileiro.
Já no setor de tecnologia, empresas brasileiras têm utilizado os Estados Unidos como base para captação de investimento, expansão de mercado e acesso a ecossistemas de inovação. Esse movimento está alinhado com os dados oficiais que indicam software e IT como o principal setor de projetos anunciados por empresas brasileiras no país.
Como empresários brasileiros entram legalmente no mercado americano
A expansão empresarial para os Estados Unidos depende, na maioria dos casos, de um enquadramento migratório adequado. O USCIS descreve diferentes caminhos legais para empreendedores estrangeiros.
L-1A: transferência de executivos
O visto L-1A é uma das principais portas de entrada para empresários brasileiros. Ele permite que uma empresa transfira um executivo ou gerente de uma operação no exterior para uma subsidiária ou nova unidade nos EUA.
Esse visto também pode ser utilizado para abertura de novas operações, desde que haja comprovação de estrutura empresarial e plano de negócios viável. Trata-se de um modelo amplamente utilizado por empresas em expansão internacional.
O-1: habilidade extraordinária
Para empresários com trajetória consolidada, o visto O-1 é uma alternativa. Ele é destinado a indivíduos com habilidade extraordinária em áreas como negócios, ciência ou educação.
O USCIS exige comprovação documental robusta, como prêmios, reconhecimento de mercado e evidências de impacto relevante no setor de atuação.
EB-5: investimento com geração de empregos
O programa EB-5 permite a obtenção de residência permanente por meio de investimento. O valor mínimo atualmente é de US$ 1.050.000, podendo ser reduzido em áreas específicas.
International Entrepreneur Rule
A International Entrepreneur Rule (IER) funciona como uma autorização temporária para empreendedores estrangeiros desenvolverem startups nos EUA.
O programa permite até três fundadores por empresa e exige comprovação de investimento qualificado, crescimento ou geração de empregos. Em 2024, o governo atualizou os valores mínimos exigidos, com ajustes automáticos definidos no Federal Register.
Mudanças recentes que impactam empresários estrangeiros
Nos últimos dois anos, o ambiente regulatório passou por atualizações.
Uma das principais mudanças foi a atualização dos critérios da International Entrepreneur Rule, com novos valores mínimos de investimento e receita, aplicáveis a partir de outubro de 2024.
Além disso, o USCIS publicou orientações adicionais sobre os tipos de evidência aceitos, incluindo documentos financeiros, registros de emprego e demonstrações fiscais.
Essas mudanças aumentam o nível de exigência documental, mas também trazem maior clareza sobre o que é necessário para aprovação.
Impactos para empresas e profissionais brasileiros
Os dados indicam que o mercado americano continua sendo um destino estratégico para empresas brasileiras, especialmente em setores de alto valor agregado.
Por outro lado, o ambiente exige planejamento estruturado. A necessidade de comprovação documental, geração de empregos e adaptação regulatória representa uma barreira de entrada relevante.
Para profissionais brasileiros, a expansão dessas empresas pode gerar oportunidades indiretas de emprego e mobilidade internacional, especialmente em estruturas multinacionais.
O papel do investimento estrangeiro na economia dos EUA
O contexto mais amplo reforça a importância desse movimento. Em 2024, os Estados Unidos receberam US$ 151 bilhões em novos investimentos estrangeiros diretos, segundo o BEA.
Esses investimentos estão associados à criação e manutenção de empregos, expansão industrial e inovação tecnológica. Empresas estrangeiras recém-estabelecidas ou adquiridas empregaram mais de 200 mil trabalhadores no mesmo período.
Isso indica que o ambiente americano continua absorvendo capital internacional de forma significativa, criando espaço para novos entrantes, incluindo empresas brasileiras.
Os dados oficiais mostram que empresários brasileiros já possuem presença relevante nos Estados Unidos, com bilhões de dólares investidos e atuação concentrada em setores estratégicos como tecnologia, serviços e alimentos.
O processo, no entanto, exige planejamento imigratório adequado, estrutura empresarial consistente e alinhamento com as regras federais. Vistos como L-1A, O-1 e programas como EB-5 e IER são os principais caminhos utilizados.
Para empresas e profissionais, o cenário aponta oportunidades, mas também demanda preparação técnica e jurídica para atuação em um dos mercados mais competitivos do mundo.
Foto: Freepik
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