Aumento de imigrantes na fronteira e provável veto a reforma imigratória dificultam planos dos democratas

Os Estados Unidos continuam irredutíveis quanto a deportação de aproximadamente 14 mil haitianos que chegaram ao país através das fronteiras nas últimas semanas. As autoridades americanas já levaram 435 imigrantes de volta ao Haiti, e a previsão é de que o número de voos com deportados aumente nos próximos dias. 

No fim da semana passada, imagens de imigrantes haitianos acomodados debaixo de uma ponte no Rio Grande, fronteira dos EUA com o México, viralizaram em todo o mundo, “jogando mais lenha na fogueira” da já tão criticada política imigratória norte-americana, e aumentando a pressão em cima de Joe Biden.

“Biden não está tendo vida fácil em seu primeiro ano de mandato, e a maioria das críticas ao seu governo tem sido exatamente relacionadas com as questões imigratórias. Houve um otimismo exagerado por parte de muitos estrangeiros que acreditaram que com a chegada do democrata ao poder os EUA iriam imediatamente acolher todos os necessitados que chegassem ao país pela fronteira.  O resultado disso foi um número recorde de detenções, com mais de 200 mil pessoas sendo apreendidas pelas autoridades americanas na divisa com o México” – observou Felipe Alexandre, advogado brasileiro/americano de imigração.

Autoridades haitianas vêm tentando, sem sucesso, convencer os EUA a conceder uma “moratória humanitária” para impedir as deportações de seus compatriotas, alegando que após recentes eventos, como o assassinato do presidente Jovenel Moise, em julho, e a destruição causada por um terremoto, em agosto, o Haiti não possui condições de oferecer apoio para os 14 mil haitianos que estão regressando ao país.

O início das deportações de haitianos acontece em um momento delicado para o governo democrata. Isto porque Ellizabeth MacDonough, árbitra do Senado americano, declarou no domingo (19/09) que o plano de Biden para a desejada reforma imigratória não deve ser incluído no pacote orçamentário de US$ 3,5 trilhões, atualmente discutido no Congresso. Ela argumentou que a realização de uma reforma imigratória tão robusta exigiria custos ainda mais elevados do que os previstos no atual orçamento federal.

“A reforma imigratória era uma das principais promessas de campanha de Biden, que deseja legalizar cerca de 8 a 11 milhões de pessoas que já se encontram nos EUA.  No entanto, embora a resolução final sobre esta reforma ainda não tenha ocorrido, é pouco provável que os congressistas americanos decidam ir contra o parecer técnico de MacDonough. Se este cenário se confirmar, trata-se de uma grande derrota para o governo Biden e uma grande decepção para milhões de imigrantes que aguardam por uma oportunidade de se legalizarem e viverem plenamente na América” – frisou Felipe Alexandre, que também é proprietário da AG Immigration, escritório americano especializado em vistos e green cards.