Como a próxima eleição irá afetar a imigração nos EUA

Brasileiros devem estar atentos para as muitas oportunidades que irão surgir nos próximos anos

Talvez o tema que mais evidencie a diferença de propostas dos dois candidatos a presidência dos Estados Unidos seja imigração. Mais do que nunca, este assunto tem provocado calorosas discussões políticas em todas as esferas da sociedade americana.

A tão falada “reforma imigratória” é uma proposta antiga que nunca chegou de fato a ser implementada neste ou em qualquer outro governo. Aliás, imigração é um tema complexo não somente nos EUA, mas em grande parte do mundo ocidental, e discutir uma política imigratória que seja mais justa tanto para os imigrantes quanto para a população estadunidense é fundamental, e certamente será um fator decisivo no resultado da eleição de novembro.

Dr Felipe Alexandre advogadoA imigração é reconhecidamente uma das principais fontes para o crescimento populacional e mudanças culturais durante toda a história dos EUA, e um fator determinante para a construção social, política e econômica do país.

Em números absolutos, os Estados Unidos possuem a maior população de imigrantes no mundo, somando aproximadamente 50 milhões de pessoas, o que representa 19,1% dos 244 milhões de imigrantes pelo planeta, e constituem 14,4% da população estadunidense. E a tendência é que estas estatísticas continuem crescendo nos próximos anos, seja com democratas ou com republicanos no poder.

É fato que nos últimos três anos e nove meses a atual administração endureceu as leis de imigração nos EUA. Até aqui, foram mais de 400 ordens executivas que restringiram direitos antes conquistados, como o fim do programa DACA, a redução da concessão de asilo e refugio, o banimento temporário de pessoas provenientes de países considerados como “risco a segurança nacional”, separação de famílias nas fronteiras e medidas protecionistas que dificultaram empresas americanas a contratar profissionais estrangeiros. Todas estas mudanças certamente dificultaram o caminho do sonho americano para milhares de pessoas.

Não é de se estranhar, portanto, que a maioria das propostas do candidato democrata Joe Biden, neste campo, seja justamente no sentido de reverter as políticas de imigração do governo Trump, incluindo um polêmico projeto de concessão de cidadania americana para cerca de 11 milhões de imigrantes atualmente indocumentados. Enquanto Trump sinaliza com a continuação de sua política “linha-dura”, Biden aponta para uma espécie de retorno a era Obama, com todos os prós e contras que isso possa significar.

Outro ponto relacionado a imigração e que promete ser decisivo para definição do futuro presidente americano são as medidas que ainda devem ser adotadas por Trump até o fim de seu mandato atual.

É muito provável que, para agradar sua base de eleitores e, possivelmente, muitos eleitores indecisos, o atual mandatário emita novas ordens executivas para restringir ainda mais a entrada de determinados imigrantes nos EUA. Com o país ainda no centro da pandemia de Covid-19, o que gerou uma onda de desemprego sem precedentes, a justificativa de dar preferência e “proteger” o trabalhador americano da competição estrangeira nunca teve tanta força.

Porém, é preciso destacar que em todo esse período, mesmo com as muitas restrições que acompanhamos nos últimos anos, houve um crescimento substancial no número de imigrantes legais que chegaram aos EUA por vias de emprego, investimento ou simplesmente com base em suas qualificações profissionais e acadêmicas. Não à toa, o próprio governo Trump demonstrou interesse em expandir a quantidade de vistos de imigração destinados para estes profissionais que desejam trabalhar em prol da economia americana.

Aliás atrair imigrantes qualificados é um dos poucos pontos em que republicanos e democratas concordam. Biden já declarou que, se eleito, também solicitará ao congresso um aumento na cota de vistos de imigração com base em emprego ou carreira. De fato, em um mundo cada vez mais interconectado e competitivo, disponibilizar vistos que atraiam o capital intelectual de profissionais estrangeiros é de extrema importância para o desenvolvimento dos Estados Unidos.

Importante mencionar que o tema imigração, assim como grande parte que cerca o resultado das próximas eleições americanas, também interessa muito ao Brasil. Afinal, os EUA são o destino favorito de nove a cada dez brasileiros que decidem começar uma nova vida no exterior. Segundo dados de 2018, do Itamaraty, cerca de um milhão e quatrocentos mil brasileiros moram nos EUA, com o Brasil ocupando o décimo primeiro lugar entre as nações estrangeiras que mais fornecem imigrantes aos Estados Unidos.

Notadamente, o perfil imigrante brasileiro nos EUA mudou drasticamente com o passar dos anos. O “novo” imigrante brasileiro é, em geral, muito mais capacitado profissionalmente e, na maioria dos casos, academicamente do que antes, e está muito mais conectado com as muitas oportunidades que o mercado de trabalho americano oferece.

Para pessoas com este perfil, os Estados Unidos continuam sendo uma alternativa viável, e se tornará ainda mais nos próximos anos devido a falta de profissionais que hoje existe em diversos segmentos do país, incluindo as áreas da saúde, tecnologia, engenharia, direito e uma série de outros campos profissionais que exigem conhecimento técnico especializado.

Praticamente nenhuma das medidas restritivas do governo Trump atingiu a pessoas com este perfil. Entretanto, seja por falta conhecimento ou por receber informações incorretas, muitas destas pessoas que desejam morar e trabalhar nos EUA têm demonstrado preocupação com o resultado da eleição americana, condicionando inclusive seus planos de imigração a vitória de um ou do outro candidato.

Como advogado de imigração com muitos anos de experiência, já vivenciei diversos momentos de incerteza em relação ao futuro dos imigrantes na América, e posso afirmar que não há absolutamente nada a se temer.  Nós, americanos, nos orgulhamos de nossos imigrantes, e a “terra das oportunidades” segue de braços abertos para estrangeiros que decidem seguir os caminhos da lei e enriquecerem nosso país com suas bagagens profissionais e culturais.

Ainda restam algumas semanas antes da eleição e não há como saber ainda qual será seu desfecho. No entanto, um resultado é certo: Os Estados Unidos continuarão sendo uma nação de imigrantes, independente de quem for o presidente do país.

Dr. Felipe Alexandre
Advogado de Imigração e fundador da AG Immigration
*O Dr. Felipe Alexandre é um premiado advogado americano/brasileiro considerado referência jno campo da imigração nos EUA. Ele é formado pela Indiana University Maurer School of Law e está autorizado a exercer práticas jurídicas imigratórias em todo os Estados Unidos.

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