Conheça os vistos que permitem atletas a morarem e trabalharem na América

Com 1 ano de atraso devido a pandemia, as Olimpíadas de Tóquio finalmente vão começar. Ao todo, atletas de 205 países disputarão a competição mais tradicional do esporte em 33 modalidades diferentes. E o Brasil, com uma delegação de 302 atletas, vive a expectativa de um recorde de medalhas, fruto de muito esforço, dedicação e, principalmente, das muitas oportunidades surgidas nos últimos 20 anos para que nossos atletas pudessem residir, treinar e progredir em suas carreiras fora do Brasil, especialmente em países que oferecem melhores investimentos, condições de treino e reconhecimento,

Não por acaso, o destino favorito de cada 5 a cada 4 atletas brasileiros que decidem começar uma nova vida no exterior é os Estados Unidos. Na atual equipe olímpica brasileira, por exemplo, diversos atletas moram ou treinam nos EUA, como a futebolista Marta, o nadador Bruno Fratus, a jogadora de Rugby Isadora Cerullo, e a surfista Tatiana Weston, entre outros.

A preferência pela América não vem de hoje. Afinal, trata-se da maior potência olímpica do planeta, com 2.519 medalhas olímpicas conquistadas, e berço de alguns dos maiores atletas de todos os tempos. Mais do que isso, os EUA valorizam o esporte, e por isso se empenham também em trazer para o país os melhores profissionais das mais diferentes modalidades esportivas.

“O Brasil está entre os países que mais envia atletas estrangeiros para os Estados Unidos, seja para intercâmbio temporário, disputa de torneios, treinar atletas americanos ou simplesmente residir e trabalhar nos EUA. E por isso mesmo, o governo americano disponibiliza diferentes tipos de vistos para que atletas de outros países possam chegar ao país”.  – Apontou Felipe Alexandre, advogado de imigração brasileiro/americano,

De forma geral, atletas brasileiros viajam aos EUA com vistos não-imigrantes, como os vistos P e O, que podem ser utilizados para exercer suas atividades no país por um tempo determinado e propósito específico. No entanto, em muitos casos, também é possível se qualificar para um visto de imigrante, que concede o green card, para residência permanente nos EUA, desde que o atleta possa comprovar que possui uma carreira bem-sucedida, com prêmios, conquistas e reconhecimento nacional (ou internacional) em suas atividades profissionais. Trata-se dos vistos “EB” (Employment-based).

“Os vistos EB tem se provado uma excelente opção imigratória tanto para atletas que ainda estão em atividade quanto para aqueles que já se aposentaram mais que desejam continuar atuando dentro do esporte, seja como treinador, professor ou exercendo alguma outra atividade dentro da área esportiva que o consagrou. Dependendo da qualificação do atleta, não é preciso apresentar nem mesmo uma oferta de emprego para trabalhar nos EUA” – Ressaltou novamente Felipe Alexandre, que também é proprietário da AG Immigration, escritório americano de advocacia que cuida dos processos imigratórios de dezenas de atletas brasileiros.

Mas não são somente os atletas olímpicos brasileiros que estão se mudando para os EUA. Em busca de aperfeiçoamento, jovens esportistas amadores brasileiros têm deixado o país atraídos por melhores oportunidades de crescimento na América, onde patrocínios e bolsas podem ser conseguidos por atletas novatos que se destaquem em suas modalidades.

De acordo com uma pesquisa de 2019 do Migration Policy Institute, os estados da Luisiana e da Califórnia são os que mais oferecem oportunidades para atletas estrangeiros, tanto através de bolsas de estudo para universitários quanto para atuar em equipes profissionais destas regiões. Logo em seguida vem a Geórgia, Alabam e Texas.

Já para lutadores de artes marciais, a maior quantidade de oportunidades está na Flórida, em especial em Orlando e Miami, que concentra algumas das principais academias de jiu-jitsu no país.  Aliás, devido a popularização do MMA e do UFC, aumentou significativamente a chegada de lutadores brasileiros que vieram morar nos EUA. Afinal, o Brasil ainda segue como referência em artes marciais, sobretudo no jiu-jitsu.

E ao que tudo indica, os EUA seguirão como o principal destino para atletas de outros países que querem alcançar o máximo em suas carreiras. Desde janeiro deste ano, após a posse novo governo, o país voltou a adotar políticas pró-imigrantes, incentivando a chegada de estrangeiros qualificados no país, um cenário que deve beneficiar muitos profissionais do esporte.

“Os Estados Unidos já se recuperaram quase completamente dos efeitos econômicos da pandemia e nunca antes na história houve tantas oportunidades de trabalho quanto atualmente. Além disso, existe hoje novamente na América um sentimento geral de valorização aos imigrantes que chegam para contribuir com o mercado de trabalho, economia e com a própria sociedade americana. Certamente este é um excelente momento para atletas estrangeiros se mudarem para os Estados Unidos”. – Completou Felipe Alexandre.