O Internal Revenue Service (IRS, na sigla em inglês), divulgou na última quinta-feira (09/10), os ajustes anuais para as faixas de imposto de renda dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2026, que serão aplicados nas declarações apresentadas em 2027. Essas mudanças visam mitigar o chamado “bracket creep” — ou seja, evitar que contribuintes sejam arrastados para faixas mais altas apenas pela inflação.
Vale destacar que essas atualizações ocorrem em contexto legislativo alterado: a lei chamada One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) tornou permanentes alguns cortes e ajustes anteriormente programados para expirar. A seguir, apresentamos os principais pontos das novas faixas, seus impactos para imigrantes e residentes nos EUA e aspectos relevantes de planejamento tributário.
Ajustes nas faixas de imposto de renda
A estrutura de faixas (as alíquotas) permanece semelhante à vigente, mas os limites de renda para cada faixa serão elevados para refletir a inflação. Esses ajustes também foram reforçados pela OBBBA, que preserva os cortes da lei de 2017 e impede que algumas faixas “revertam” a níveis anteriores.
Embora as faixas de imposto permaneçam, muitos contribuintes verão alívio efetivo porque a base tributável será menor em função da elevação das deduções padrão.
Novos valores da dedução padrão (standard deduction)
Para o ano-fiscal de 2026, foram divulgados os valores da dedução padrão ajustados:
- Married Filing Jointly / Surviving Spouse: US$ 32.200 (aumento de US$ 700)
- Single / Married Filing Separately: US$ 16.100 (aumento de US$ 350)
- Head of Household: US$ 24.150 (aumento de US$ 525)
Além disso, contribuintes com 65 anos ou mais ou com deficiência poderão reivindicar um valor adicional de dedução (extra standard deduction).
Há também uma dedução “bônus” adicional de US$ 6.000 para idosos (ou US$ 12.000 para casal qualificado), que será incorporada às deduções padrão, embora possa haver limitações conforme a faixa de renda.
Essas medidas ampliam o teor progressivo do sistema e reduzem efetivamente a base de tributação para muitos contribuintes.
Para imigrantes com obrigação de “tax return” nos EUA
Residentes permanentes (green card holders) e pessoas com presença substancial (substantial presence test) são tributados nos EUA sobre a renda mundial. Logo, ajustes nas faixas e deduções padrões alteram diretamente o montante sujeito a tributação.
Com as novas deduções padrão mais elevadas, parte da renda de base poderá deixar de ser tributável, beneficiando aqueles com rendimentos moderados ou médios.
Imigrantes não residentes (nonresidents)
Para imigrantes classificados como “nonresident aliens”, o sistema tributário é diferente: muitos não têm direito à dedução padrão completa ou a algumas faixas progressivas, dependendo da convenção fiscal entre os EUA e o país de origem.
Essas mudanças nas faixas podem não se aplicar de igual maneira a não residentes, mas ajustes em deduções e estrutura tributária geral podem repercutir na retenção na fonte ou nos cálculos de imposto sobre renda de fonte norte-americana.
Planejamento tributário e mitigação de carga
Com essas mudanças, contribuintes inclusive estrangeiros residentes podem adotar estratégias como:
- Revisão do withholding (retenção de imposto) junto ao empregador para evitar surpresas na declaração anual.
- Análise da “tax bracket” marginal esperada em 2026 e adaptação de investimentos ou retiradas que gerem renda.
- Uso de créditos fiscais disponíveis (como Child Tax Credit, Earned Income Credit, entre outros) para reduzir a carga efetiva.
- Cálculo antecipado da renda e projeção de imposto ao longo do ano, considerando os novos limites de dedução padrão.
Foto: Freepik
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