Os Estados Unidos enfrentam uma escassez de dentistas sem precedentes. Pesquisa publicada pela Associação Odontológica Americana (ADA, na sigla em inglês) mostrou em novembro que a dificuldade em preencher vagas abertas tem sido o principal fator de limitação para o crescimento dos consultórios odontológicos no país, segundo 43,8% dos clínicos gerais entrevistados, 34,2% dos cirurgiões, 61,7% dos dentistas pediatras e 41,7% dos endodontistas.

Ainda segundo a ADA, nos últimos anos, os EUA formaram uma média de 6 mil dentistas por ano – número bem abaixo da necessidade para suprir a demanda atual de profissionais da área. A Administração de Serviços e Recursos Humanos dos Estados Unidos estima que o país precisaria de 11 mil novos dentistas para acabar com a escassez que existe atualmente. Estados como California, Missouri, Texas, Alaska e Florida são os que mais necessitam desse tipo de mão de obra.

No entanto, enquanto nos EUA existe uma proporção de 21,1 dentistas para cada 100.000 habitantes, no Brasil esse número chega a 171,2, de acordo com o Conselho Federal de Odontologia (CFO). São 201 mil dentistas em um país, em comparação com 363 mil no outro.

Justamente para cobrir essa lacuna, a AG Immigration – escritório de advocacia americano especializado em imigração – lançou um programa para levar 1.000 profissionais de odontologia para os Estados Unidos em 2022. “Existem muitas vagas abertas na América e essa é uma grande oportunidade para que dentistas brasileiros, de todas as especialidades, incluindo os clínicos gerais, tenham a possibilidade de uma carreira internacional”, explica o CEO da AG Immigration, Rodrigo Costa. “A obtenção do visto é o primeiro passo para quem quer viver e trabalhar nos EUA”.

De acordo com o executivo, que é especialista no mercado de trabalho norte-americano, a AG oferece toda a consultoria para a obtenção do visto de trabalho – incluindo uma avalição inicial gratuita para analisar as possibilidades migratórias da pessoa e entender se ela realmente se qualifica para atuar em solo americano. “Depende muito do histórico profissional, do tempo de formado e de outros fatores que, ao serem analisados, vão determinar qual visto é o mais indicado para o dentista brasileiro vir para os Estados Unidos”, diz Costa, que mora no país. O processo de obtenção do visto de trabalho pode demorar de 5 meses a até 2 anos.

De acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos, um dentista ganha, em média, 180 mil dólares por ano, o equivalente a R$ 1 milhão – ou R$ 84 mil por mês na variação de câmbio atual.

No programa lançado pela AG Immigration, o processo de revalidação do diploma de odontologia fica por conta da MigTech, empresa especializada no recrutamento e na recolocação de profissionais da área da saúde no mercado norte-americano e fundada por dois dentistas brasileiros que migraram para os Estados Unidos e vivenciaram na pele todo o processo.

“Dentistas treinados fora dos EUA são candidatos viáveis para o processo. Inclusive nas nossas turmas, temos tido muita procura de alunos de graduação que desejam começar a preparação antecipadamente”, explica o odontopediatra Cristian Brutten, CEO da MigTech. Segundo o executivo, há demanda para todas as especialidades. “Cada estado tem escassez específica e regras diferentes para emissão das licenças”, complementa.

Além de iniciar o processo imigratório – que deve ser o ponto de partida, pois sem o visto o profissional não conseguirá trabalhar nos EUA –, os dentistas formados no exterior que desejam obter licença para exercer a profissão em solo americano precisam obter também um diploma de um programa de educação odontológica credenciado pela American Dental Association Commission on Dental Accreditation (CODA). “O programa é feito todo presencialmente nos EUA e demora de 2 a 3 anos. No entanto, pode ser feito simultaneamente com a obtenção do visto de trabalho, de maneira a se ganhar tempo”. Até o visto de trabalho ficar pronto, o profissional faz o programa usando um visto de estudante.

O dentista que faz o processo com a AG Immigration já conta com o serviço de recolocação no mercado de trabalho, assim que tiver a sua licença odontológica em mãos. O serviço de market placement irá alocar o dentista no melhor local possível, de acordo com suas habilidades profissionais, oportunidades de remuneração e plano de carreira.

Existem atualmente nos Estados Unidos 68 cursos superiores de odontologia, de acordo com dados da ADA, enquanto no Brasil as faculdades da área chegam a 412, segundo o CFO. O alto número de graduações, inclusive, levou o órgão profissional a pedir ao Ministério da Educação, em 2019, a suspensão da abertura de novos cursos.

Por outro lado, em razão da falta de mão de obra nos EUA, a Casa Branca anunciou em novembro deste ano um pacote de investimentos de 1,5 bilhão de dólares para aumentar e diversificar a força de trabalho na área da saúde e reforçar o atendimento em comunidades com maior defasagem. “Esse financiamento apoiará ainda mais a expansão da força de trabalho médica e odontológica de atenção primária em comunidades carentes por meio de programas de residência de atenção primária em medicina familiar, clínica médica, pediatria, psiquiatria, obstetrícia e ginecologia, odontologia geral, odontopediatria e geriatria”, disse o comunicado da Casa Branca.

Segundo um estudo da Renub Research, empresa especializada na produção de relatórios de mercado setoriais, espera-se que o setor odontológico dos Estados Unidos atinja um valor de 30,59 bilhões de dólares em 2027 – contra 15,57 bilhões no ano passado, crescendo a uma taxa média anual (CAGR) de 10,13% entre 2020 e 2027.

Os fatores que devem impulsionar a demanda são o aumento na procura por cirurgias estéticas, o envelhecimento da população e o avanço em procedimentos odontológicos devido a novas tecnologias. As demandas protéticas, preventivas e cirúrgicas também contribuirão para a expansão do mercado, de acordo com o estudo.

“Há oportunidades incríveis para os brasileiros. E o que eles desconhecem é que, há muitos anos, o governo americano disponibiliza uma categoria de vistos chamada EB, ou employment-based, que é reservada para profissionais vindos de outros países e que já possuem formação acadêmica superior e carreira bem-sucedida em seu segmento. E essa tem sido a principal porta de entrada para dentistas nos Estados Unidos”, explica o CEO da AG Immigration.

Um dos testes que os dentistas brasileiros precisam fazer para atuar nos EUA é o TOEFL, que avalia o nível de proficiência em inglês do candidato. Existe ainda o Integrated National Board Dental Examination (INBDE), aplicado para todos os dentistas atuantes nos EUA, incluindo os próprios americanos. “Além disso, há outros caminhos possíveis para exercer a profissão, que vão desde fazer dois anos complementares de universidade, fellowships,  até uma residência em odontologia ou uma especialização. Não faltam opções para os dentistas interessados”, afirma Brutten.